Início/Diário/Compras em Paraty

O centro histórico sem carros é um longo passeio de vitrine: onde comprar cachaça artesanal, as duas livrarias de verdade da cidade, as ruas de cerâmica e artesanato, as galerias de arte, os dias de feira e os doces locais que valem levar para casa.

Fazer compras em Paraty não é um shopping e uma lista de redes de lojas. É uma caminhada. Todo o centro histórico é fechado para carros, e suas lojas ficam atrás das mesmas portas coloniais caiadas de branco que os restaurantes e as pousadas — uma livraria ao lado de uma adega de cachaça ao lado do ateliê de um ceramista, tudo a poucos minutos de distância umas das outras sobre as pedras. O que se encontra aqui é o que a cidade de fato produz e preserva: cachaça, cerâmica feita à mão, artesanato indígena e caiçara, joias de prata e conchas e — porque Paraty sedia um dos grandes festivais literários do mundo — algumas livrarias genuinamente boas.

Este é o nosso guia honesto para comprar bem em Paraty: onde as lojas se concentram, os nomes que valem a caminhada e o que de fato vale a pena levar para casa. Tudo aqui foi verificado nos próprios sites das lojas, em listagens consolidadas e em guias locais, porque um guia de compras cheio de lugares que fecharam no ano passado não ajuda ninguém. Lojas de cidade pequena abrem, fecham e mudam de endereço, então trate qualquer número de porta exato como um ponto de partida e confirme no dia — mas as ruas, as categorias e as referências abaixo são sólidas.

Onde ficam as lojas

Quase todas as compras de Paraty acontecem no centro histórico sem carros, sobre as mesmas pedras irregulares de "pé de moleque" que foram assentadas para inundar nas marés mais altas e lavar as ruas. Duas ruas concentram a maior parte disso. A Rua do Comércio é a artéria principal, repleta de galerias, boutiques, lojas de cachaça e de artesanato. A Rua da Lapa é a mais tranquila, conhecida por cerâmica, móveis de madeira, renda e tecidos. A Praça da Matriz, a praça principal junto à igreja matriz, costuma ter barracas vendendo artesanato local e comida e bebida regionais.

Como tudo é a pé, fazer compras e passear são a mesma atividade aqui. Você já está passando por essas portas a caminho do jantar. Use sapatos baixos — as pedras são realmente irregulares — e mantenha algum dinheiro em espécie com você, porque as menores barracas de artesanato nem sempre aceitam cartão.

Uma rua de pedras no centro histórico de Paraty repleta de fachadas coloniais caiadas de branco e portas coloridas
As lojas dividem as mesmas portas coloniais de todo o resto — o centro histórico é sem carros, então a visita é feita a pé pela Rua do Comércio e pelas ruas laterais (Wikimedia Commons).

Cachaça: a garrafa para levar para casa

Se você comprar uma coisa em Paraty, compre cachaça. Este foi um dos grandes portos de açúcar e aguardente do Brasil colonial, "Paraty" ainda é uma denominação de origem protegida para a bebida, e os alambiques históricos nas montanhas acima da cidade produzem alguns dos rótulos artesanais mais respeitados do país. Você pode visitar os próprios alambiques — falamos sobre eles em nosso guia de onde comer — mas se você só quiser degustar e comprar na cidade, duas lojas no centro fazem exatamente isso.

O Armazém da Cachaça é o grande, na Rua Maria Jácome de Mello, no centro histórico. Tem uma das maiores seleções de cachaça da cidade — centenas de rótulos — com um punhado rotativo aberto para degustar de graça, além de licores, doces, pimentas e trufas. É o lugar para comparar uma Maria Izabel com uma Coqueiro ou uma Corisco antes de se decidir. O Empório da Cachaça é a versão menor e mais intimista — uma loja e bar de degustação na Rua Doutor Samuel Costa com cachaças regionais, doces e cervejas artesanais, equipe que fala inglês e coquetéis, se você preferir beber a comprar. Entre os dois, você aprende sobre o porquê de tanto alvoroço sem nunca entrar em um carro.

Bom saber

A cachaça artesanal viaja bem na bagagem despachada, se bem embrulhada. Se você for voar de volta, compre perto do fim da viagem, guarde a nota fiscal e verifique a franquia de bebida alcoólica da sua companhia aérea e do seu país de destino — a maioria permite trazer uma ou duas garrafas. Uma boa cachaça envelhecida (amarela) se bebe mais como um bom rum ou um uísque do que a bebida crua de uma caipirinha.

Livrarias e a cidade literária

Paraty leva os livros a sério. Todos os anos ela sedia a FLIP — a Festa Literária Internacional de Paraty, um dos festivais literários mais importantes do mundo de língua portuguesa — e essa cultura deixou a cidade com livrarias de verdade, não apenas expositores de cartões-postais.

O destaque é a Livraria das Marés, a livraria da Pousada Literária, na Rua Tenente Francisco Antônio, no centro histórico. Reúne cerca de 4.000 títulos em um espaço lindamente projetado, com um café anexo — um lugar fácil para perder uma hora longe do sol. A Livraria de Paraty é a livraria original da cidade, aberta há mais de duas décadas, parte livraria e parte cafeteria. E se você por acaso visitar durante a própria FLIP (julho), o festival monta sua própria grande livraria temporária além de uma série de "casas" literárias com curadoria — poucos dias de sonho para quem gosta de comprar livros. Veja o nosso guia da melhor época para visitar para as datas do festival.

Uma cidade que faz um festival de livros todos os anos é uma cidade que mantém boas livrarias no resto do ano. Paraty é um dos poucos lugares pequenos onde "vamos achar uma livraria" é um plano de verdade.

Galerias de arte e ateliês

Paraty atrai artistas há décadas, e várias pequenas galerias e ateliês em atividade estão embutidos nos casarões coloniais do centro. Alguns que valem a busca:

  • Galeria Zeca Orsi — uma galeria de longa data perto do Largo do Rosário, mostrando uma variedade de estilos e técnicas; um dos nomes mais conhecidos da cidade.
  • Marcelo Oséas Galeria — fotografia ao lado de peças regionais artesanais, na Rua do Comércio.
  • Refil Paraty — design sustentável e móveis com trabalho de vários artistas locais, na Rua Santa Rita; tanto uma loja de design quanto uma galeria.
  • Galeria Aecio Sarti — uma peculiar: pinturas feitas sobre lona de caminhão reaproveitada, na Rua Doutor Samuel Costa.
  • Casa da Cultura de Paraty — na Rua Dona Geralda, o centro cultural da cidade, com exposições rotativas e história local; uma boa primeira parada para ver o que está em cartaz.

Outros ateliês — o trabalho de cerâmica e tela de Patricia Sada, o Atelier Lúcio Cruz — aparecem enquanto você caminha, e essa é realmente a maneira de fazer. O prazer de uma cidade tão pequena é que você não planeja as galerias; você as encontra entre a igreja e o almoço.

Artesanato, cerâmica e joias

O artesanato do dia a dia é onde Paraty é mais forte, e ele se concentra na Rua da Lapa: cerâmica feita e pintada à mão, peças de madeira, renda, colchas, redes, almofadas e têxteis para casa. Boa parte é de fato trabalho local, e não estoque importado de souvenir, e os preços são razoáveis para produtos feitos à mão.

Para artesanato indígena, a Canoa Arte Indígena no centro histórico vende trabalhos com miçangas, escultura em madeira, macramê e têxteis tecidos, com equipe que explica as técnicas e as comunidades por trás de cada peça — uma compra mais significativa do que um chaveiro genérico. E Paraty tem uma pequena tradição de joias artesanais feitas de prata, pedras semipreciosas e conchas coletadas na região; você as verá em várias lojas do centro, muitas vezes feitas pela própria pessoa que as vende.

O que comprar, e onde procurar
O quêOnde procurarObservações
Cachaça artesanalArmazém da Cachaça, Empório da CachaçaDeguste antes de comprar; rótulos envelhecidos viajam bem
LivrosLivraria das Marés, Livraria de ParatyAmbas têm cafés; loja temporária da FLIP em julho
Cerâmica, renda, têxteisRua da LapaA rua do artesanato; boa parte é feita localmente
Artesanato indígenaCanoa Arte Indígena, centroMiçangas, entalhe, peças tecidas
Joias de prata e conchasLojas e barracas do centroMuitas vezes feitas por quem vende
Doces locaisA Caiçarinha, Maria BeijinhoMassapão e manuê — típicos de Paraty

Feiras e as barracas da praça

Para compras frescas e sem turismo, Paraty tem uma feira perto da rodoviária, na borda do centro — conservas e queijos caseiros, ovos caipiras e produtos da terra, boa parte cultivada pelas próprias pessoas que vendem. Ela funciona na maioria das manhãs, e os moradores dizem que sexta-feira é o melhor dia, quando chegam feirantes extras. É um passeio adorável de manhã cedo mesmo que você só vá comprar fruta para o dia.

De volta ao centro, a Praça da Matriz costuma receber barracas de artesanato e comida e bebida regionais — um bom lugar, sem pressão, para pegar pequenos presentes e ver o que os produtores locais estão trazendo para a cidade naquela semana.

Uma colorida feira de artesanato e produtos ao ar livre com barracas de madeira sob toldos brancos em uma cidade colonial
Entre as lojas fixas, as barracas da feira e os vendedores da praça de Paraty são onde aparecem os produtos frescos, os cestos tecidos e as joias feitas à mão — melhor visitados no início do dia.

Doces e lembranças comestíveis

Paraty tem seus próprios doces, e eles fazem lembranças excelentes e baratas. Procure por massapão e manuê — duas guloseimas locais tradicionais que você raramente verá em outro lugar. A A Caiçarinha é uma loja especializada montada exatamente em torno desses doces e lembranças regionais, e a Maria Beijinho é uma doceria e café bons para bolos, brigadeiros e uma pausa para o café enquanto você faz compras. Junte um saquinho desses a uma garrafa de cachaça e você tem um presente genuinamente local que custou muito pouco e não veio da fábrica de ninguém.

Notas práticas: horários, dinheiro e bagagem

  • Leve algum dinheiro em espécie. Os cartões funcionam na maioria das lojas consolidadas, mas a feira e as menores barracas de artesanato costumam preferir dinheiro. Saque dinheiro em um caixa eletrônico dentro do saguão de um banco na cidade antes de precisar — veja o nosso roteiro de 3 dias para a logística prática.
  • Os horários vão até tarde e param no meio da tarde. Muitas lojas abrem no fim da manhã, esvaziam no calor do início da tarde e ficam abertas noite adentro, quando as ruas se enchem para o jantar. A noite é um momento agradável e fresco para passear.
  • Prepare-se para as pedras e a chuva. Malas com rodinhas detestam as pedras, e Paraty é uma costa úmida; embrulhe qualquer coisa frágil e compre itens quebráveis perto do fim da viagem.
  • Confirme os números das portas no dia. Lojas pequenas mudam de endereço. Use os nomes das ruas daqui para achar o quarteirão certo e depois siga o olhar — em um centro tão compacto, é só o que precisa.
Sem carrosTodo o centro histórico — passeie a pé
Rua do ComércioA principal rua de compras
Rua da LapaCerâmica, madeira, renda e tecidos
CachaçaUma denominação de origem protegida — a compra emblemática

Dúvidas frequentes

O que devo comprar em Paraty?

A cachaça artesanal é a compra emblemática — Paraty é uma denominação de origem protegida para a bebida, e lojas como o Armazém da Cachaça deixam você degustar antes de escolher. Além disso: cerâmica feita à mão e têxteis na Rua da Lapa, artesanato indígena e caiçara, joias de prata e conchas, livros (esta é uma cidade literária) e doces locais como massapão e manuê.

Onde fica a principal área de compras?

O centro histórico sem carros, especialmente a Rua do Comércio (a principal rua comercial) e a mais tranquila Rua da Lapa (cerâmica, madeira, renda, tecidos). A Praça da Matriz tem barracas de artesanato e comida, e há uma feira perto da rodoviária. Tudo dá para fazer a pé.

Paraty tem feira?

Sim — uma feira perto da rodoviária, na borda do centro, aberta na maioria das manhãs, sendo a sexta-feira muitas vezes a mais movimentada e a melhor. No centro, a Praça da Matriz costuma ter barracas de artesanato e comida regional.

Posso comprar cachaça na cidade sem fazer uma visita a alambique?

Sim. O Armazém da Cachaça e o Empório da Cachaça ficam ambos no centro histórico e oferecem degustações e uma ampla variedade de rótulos para comprar, sem precisar de carro. Se você quiser ver como é feita, os alambiques históricos nas montanhas fazem visitas — descritas em nosso guia de onde comer.

As lojas aceitam cartão de crédito?

A maioria das lojas consolidadas aceita, mas a feira e as menores barracas de artesanato costumam preferir dinheiro. Leve alguns reais para esses casos e saque em um caixa eletrônico dentro do saguão de um banco na cidade, e não em uma máquina de rua.